segunda-feira, 14 de abril de 2025

Castelo das Retortas

Em meio às trevas escuras algo ainda mais soturno tragava a escuridão para si. 
O castelo erguia-se ameaçador e o caminho até ele era emoldurado por folhagens negras, galhos secos e aromas de horror, aos quais se podiam enxergar e sentir graças a algum tipo de feitiçaria malévola, pois as plantas, galhos e a terra irradiavam uma uma luz verde-azulada oscilante, que se emanava viscosa e tenuamente, nao deixando dúvidas de que se caminhava nos domínios do sobrenatural.
Surreal era poder fazer parte daquilo. Enxergar o que a maioria jamais verá.
O Castelo das Retortas erguia-se frio, como uma lápide imensa, milenar como a dor também era.
A maldiçao dos vivos é nao pecar com o suicídio. A maldiçao dos mortos é estar vivo para sempre!
Conforme aproximaram-se da construçao sobrenatural escutaram seu som. As almas gemiam, o castelo vibrava em dissonâncias horripilantes.
Lá do alto, um aralto da morte, cego e surdo, como todos o são, identificou a presença do grupo. Exalavam medo. Tomou sua trombeta à tiracolo, soprou a poeira dos séculos e tocou o som que nenhuma criatura humana jamais conseguirá emitir. Um som bestial, que arrepiou os corpos dos que ali estavam, amoleceu suas pernas e gelou cada coraçao. 
A coragem de Enna vacilou no peito. Um sopro pestilento e malevolo ameaçava devastar sua alma e as almas dos que a acompanhavam...

Sonhorama - 2014

domingo, 26 de janeiro de 2025

A criatura verde

Aos domingos a cabeça se enxe de vozes.
As folhas deslizam como ratinhos, fugindo em bandos da tempestade.
Uma bruxa me apresenta uma criatura, dizendo-me ser “sua criatura”. Empurra em minha direção, sobre a mesa, uma estatueta representando a besta quadrúpede com cabeça de harpia, garras, patas e escamas de dragão.
O sol quase beija o mar infinito, e antes que mergulhe nas aguas misteriosas, despeço-me com agonia da feiticeira cigana.
A descida nas escadas em voltas de lances sem fim também me dizem que o tempo acabou.
Começo a cantar. No início surpresa, pois sequer sei o que canto - escuto minha melodia preenchendo as paredes de pedra. E entao, tritões e sereias passam a entoar, junto a mim, o cantigo de adoração religiosa.
Nao entendo o que canto, ou como canto, mas cada fibra do meu ser sabe que esta é a única arma que tenho.
A musica divina me faz transcender, e passo a contemplar duas cenas ao mesmo tempo: a mim mesma, apavorada nas escadarias duma torre, e o mar lá fora a rodeá-la; sob o céu alaranjado, suas águas quase negras arrepiando-se, perigosamente elétricas, cravejadas com as faces dos filhos de Anfitrite.
O cheiro de morte paira no ar.

domingo, 17 de novembro de 2024

Lugar nenhum

As festas em ruas que não existem são uma das especialidades do reino de Sandman. 
Mesmo sem qualquer pista ou mapa, todos estão lá. Eu, você e eles.
O som incendiário agita performers, enquanto entre os corpos dançantes, seres se espremem vindo dos bares, ou então, recém chegados, procuram seus grupos.
Nao tem dia, noite ou culpa nesse módulo itinerante da diversão. Todos podemos ser felizes. 
Mas Sandland guarda surpresas. Nessa festa específica, uma onda de pessoas carregou meu corpo por alguns metros-sonho. Fugiam na direcão oposta da polícia que acabara de desembarcar por ali - ainda que nunca tenha existido um endereço. 
Prisões, confusão, últimos beijos e música pulsante.
O tempero especial dos sonhos é fruto de uma dupla incrível. Lord Sandman e o sonhador da vez. Substancias imprevisíveis, guinadas, lágrimas e o impossível.
A festa só termina quando o sonho acaba!
Dessa vez você foi preso e fui junto contigo, no maior estilo amor bandido.
Nos próximos capítulos - são raríssimos casos de continuação de sonho, mas preciso ter esperança - seremos você e eu tentando fugir detrás das grades

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Rocinha de loucos

Todos têm uma vó, uma tia, um parente qualquer, que tem o tal quadrinho em casa, provavelmente no banheiro.
Dentro dele, uma minúscula casinha numa roça universal de tão qualquer.
A casinha é um farol, e nao deixa nossos pensamentos perderem-se no mar revolto de nossas mentes.
Ao seu redor, paira uma imobilidade abafada. O sol castiga sua janela negra sem cortinas ou venezianas. A porta aberta soa como um convite à visitaçao; mas também à impermanência. Afinal de contas, quem pousa as noites em casas sem portas, quando há o perigo das onças?
Uma rocinha para os loucos, desprendidos, e sonhadores.

domingo, 20 de outubro de 2024

My dead fiancé 🖤🔥

- Bem.. - engoliu em seco e olhou rapidamente para cima; muito acima dos meus olhos - ele tem quase dois metros.. 
- Não precisa dizer mais nada. Eu sei quem é…

sábado, 19 de outubro de 2024

I once had a dream, one about a maze,

It had no straight lines, and no line was the same, 

They were not curve, nor round, 

but a towering construct of impossible angles and shapes.


There was no entrance, nor exit known to man,

But they all knew, deep in their hearts, "That is where the Gods remain",

And each attempt to get in,

Resulted in death and disgrace.


Centuries passed while I remained in this very dream, 

Laying down on the grass to watch that cyclopean maze,

Civilizations came and went, like nothing,

But men never ceased trying to get there where Gods remain.


Centuries became millenia, 

The grass became wastelands,

The sun slowly decayed,

And even the air now made men afraid.


I didn't move an inch, 

Nor I ever had ceased to observe, 

The world of men has never had eyes for me,

Because they only cared (and really only cared) to break in where the Gods remain.


I now watch their very last efforts,

As war machinery tears down, wall by wall, of the humongous maze,

No God is to be found, but a bottomless hole in the ground,

The men, stopped in silence, hopeless, for the first time in ages.


Fear first consumed the hearts of men, then there was shame,

Which turned to curiosity, and then became bravery,

They all jumped in, one by one, into the void that remained, 

Never to come back, godless, it died the age of men.


Lord M.

Love decay

I feel the blow to turn around Make love revive just one more time Can we be creatures of the night? I’m cursed to love in darkness..