quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Faró fa fá

Eu penso em drogas, expansao da consciência, cogumelos.
Sair dessa prisao de carne do caralho.
Meter farofa, em tudo que é dificil comer. Pq nem todo dia é dia de comida boa. Entao tem farofa, pra ajudar a descer.
Penso em como não poderia ter sido companheira daqueles “caras incríveis”, pq minha proa - seria proa? Sei lá - sempre esteve apontada pra baixo, pro fundo do Atlantico.
Minha tristeza tragaria o brilho do cara…e seria simplismente horrivel de assistir, por ele e por mim. Seria decadente prender meus tentáculos de polvo ao redor dum cara que ia sufocar com minhas agonias. Um polvo agarrado num empire state building. Ui! Que status vcs ganharam!
A verdade é que ovelha não é pra mato.
E com o relacionamento que tenho, seguro minhas pontas sem me expandir muito porque ele simplismente não tem espaço ou palco pra isso.
Haha, o Desanimus nunca vai dar palco pra maluca. 
Entao o monstro fica restrito, e sigo dessa maneira.
Provavelmente é o mais certo a se fazer, meu corpo e alma estao atados a essa verdade.
Agradeço a ele, mesmo tendo milhoes de reclamacoes.
De alguma forma, me faz encontrar alternativas pra continuar, que nao sejam elas o ultraromantismo doentio byroniano do qual continuo adepta, nao por escolha, mas por vocação.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

abacaxi, maracujá, limão e açúcar

Estou com a sensação de que se não parar para escrever, talvez caia dura, morta.

Numa manhã, há uns dias, fui tosar um cachorro difícil, e como eu e a dona dele nos conhecemos há alguns anos, sentei na mesa da cozinha enquanto ela preparava um suco.
Não perguntei se era pra mim, mas fazia muito calor, e me sentia cansada, de modo que ali fiquei sentada, falando sobre trivialidades nem tão triviais...
Aquele suco não parecia perturbar em nada a ordem da cozinha. Os abacaxis estavam picados, dentro duma jarra com maracujá, acúcar e limão. Não vi cascas, sujeira, louças a lavar...parecia um suco etéreo, que se materializava ali, num copão - que sim, foi servido para mim - vinha do além; zero esforço.
Pensei em quanto trabalho teria tido na minha própria casa e em quanto mexer com cozinha irrita justamente pela bagunça enorme que faz. Detesto cascas, caroços, papéis de embalagem, comida velha, lavar coisas na pia, depois arrumar a pia, lixo de cozinha. E aí não sinto prazer na coisa, porque antes de comer a comida feita, preciso imediatamente deixar tudo em ordem para justamente não ter que interromper o prazer do pós-refeição. Ora, mas aí a comida esfria, o corpo e a mente estressam, não tem jeito. É ruim antes, durante, ou depois.
Abençoadas as mulheres como a **, que não se preocupam com isso, tocam em frente e fazem coisas deliciosas. Talvez esse tipo de trabalho não lhes doa, ou simplesmente largaram mão de se incomodar.

Hoje sonhei com pássaros empoleirados em árvores numa noite ônix. Uma pequena asa em chamas, minha subida pelos galhos em busca da ave. Pegá-la abruptamente em meio a uma escuridão completa. Céu, troncos, folhagens, atmosfera - negros. Meu coração e o dela saindo pela boca.

As trivialidades não são tão triviais. Mulheres que se encrencam em situações difíceis, e por alguma explicação muito óbvia, mas também muito obscura, ali elas se mantém, como presas dóceis, manejando situações complexas e fazendo a vida fluir daí, mesmo que isso signifique navegar sobre um rio de seixos, e seixos somente. Vocês me entendem?

Lançamos mão de cartas, búzios e tarot, para encontrar neles a resposta certa de um fim. Fim de quem? ou do que?

Uma das leis da vida é seu fim, e por isso mesmo deveríamos saber que ao buscar respostas, bateremos sempre com essa.






quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

kabrum

Saudades de quando a chuva fazia "kabrum" nas histórias do chico bento.

e a água cantava conchas e areia derramando sobre as telhas de barro

Crianças-fada acocoravam nos cantos do fim do mundo, olhos postos nos rios d'agua - prata - 

o rugir duma natureza engenho de si 

que não precisa de homens, guerras ou dinheiro

Os pardais todos sumiam, e na trégua reapareciam navegando corpinhos alegres entre ondas verde-vibrantes

Aonde se escondiam quando temporais?



Love decay

I feel the blow to turn around Make love revive just one more time Can we be creatures of the night? I’m cursed to love in darkness..