sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Chavoró

- Vc não sabe de nada! Chavoró!


Chavoró" é uma palavra de origem caló (língua dos ciganos da Espanha) ou romani que significa 
filho ou criança

- É, nao sei nada mesmo!





quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Espera

O medo nunca me deixa, mas o amor também não.

É que quando o fim rugir - e ele vem vindo - vou finalmente conhecer meu amor guardião.
O ultimo segundo é dele, e é meu. O ultimo segundo antes da morte é nosso. E eu viveria este calvario mil vezes só pra terminar nos seus braços ali.
Pra redescobrir aqueles lábios, e saber que nunca os esqueci em primeiro lugar.

Deixa o fogo estalar os beiços com nossa carne unida; vir subindo pelas panturilhas. O que a vida não juntou, a morte une pra sempre.

- Casa comigo, meu amor?

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Há 5 anos

Ali em cima a visão não deixara de ser deslumbrante, ainda que o mundo houvesse acabado, e tudo estivesse rodeado pela escuridão e pelo fim.
Sentia medo quando segurei na sua mão e subi as escadarias grudada em você, que instintivamente adiantava um passo a minha frente, numa espécie de precaução conosco.
Sabíamos que éramos preciosos um para o outro, como se nossa soma fosse sempre maior do que dois. Sentíamos isso no coração e no espírito, e ter nos fazia querer proteger de maneira primitiva, a qualquer custo.
Foi quando abandonamos as escadarias de repetitivos caracóis que notei o verdadeiro abandono daquela construçao. Era um esqueleto sem paredes, composto apenas por pisos brutos e poeirentos, escadarias sem fim e baixos guarda-corpos que avarandavam o nada.
Noite e trevas ao nosso redor quando você encontrou e me sentou numa cadeira jogada naquele andar e sua boca mordeu meus lábios causando um arrepio elétrico. Era como se não estivesse mais viva.
Teu primeiro beijo em anos. Nossas línguas vorazes abdicam do dizer para sentir e as mãos contornando desesperados limites de matéria que não pode ocupar o mesmo lugar que a outra no espaço.
A cadeira fica vazia e ao lado dela você me toma no chão áspero de cimento. Como pode haver paixão no fim dos tempos, com a vida arrasada pela miséria e mesquinhez?
Ser sua não tem descrição. Extrapola de mim o tudo; e sentir você transbordar meus limites me dá vertigem.
Olho nos teus olhos quase que me despedindo. Aquele amor tem que durar mas escapa pelas mãos....não entendo.
De repente estou só e nua no esqueleto úmido de cimento e vigas de metal. Grito seu nome uma, dezenas de vezes enquanto visto minha roupa e tateio por você ao redor.
Desço as escadarias até o térreo sem jamais respirar, e constatando sua ausência, abandono o edifício adentrando o vazio do mundo. Meu coraçao soca o peito desesperado.
Sou um incêndio para iluminar sua busca.

Love decay

I feel the blow to turn around Make love revive just one more time Can we be creatures of the night? I’m cursed to love in darkness..