domingo, 24 de julho de 2022

Steampunk

Numa cidade de concreto muitos anos depois de nós. Ninguém sabe o que é fim porque (sobre)vivem no pós, e portanto não fazem idéia nem do que seja “começo”.

Na varanda de um prédio fantasma, uma mulher de cabelos longos e negros, com os pés sobre um banquinho, ameaça atirar-se de costas, 480 metros abaixo.

Chove sem tréguas, e ninguém a observa além de mim.

Atrás do colosso de concreto um enorme tubarão branco pendurado pela cauda enverga o corpo numa curva que termina nos dentes arreganhados.

O peixe é um troféu humano e deve significar algo para a populaçao daquela cidade.

O concreto claustrofóbico, o tubarão, e a menina na varanda; tudo sobreposto pela chuva negra do fim.

Ela murmura para si algo que jamais saberemos. Ali permanece de cabeça baixa, cabelos e roupas molhados fustigados pela agua negra.

A mão do medo acaricia minha pele. Observo enquanto posso.


terça-feira, 19 de julho de 2022

Trovão


De repente tenho 16, e você está lá me esperando sem sequer titubear.
Guerreiro e dádiva, presente do oculto mistério do tudo.
Uma única flor trago para ti.
O tempo crescendo num rugido imenso ameaça partir o céu.
Corro pro seu coração sem olhar para trás.
 


Sacrifício

Está tarde, estou cansada. As frases inteiras que borbulhavam em mim logo cedo, se foram. Meu pensamento esta parado. Cabeça, pescoço, coraç...