sexta-feira, 8 de maio de 2026

Xingú contra o espaço

Explodiu um choro no meio da rua. 
Meu choro é sempre um Xingú em toda sua força prestes a despencar lá do alto do canto do mundo; espaço abaixo. Cataratas espumantes contra a escuridão infinita.
Em sua defesa, ele concatenará idéias com começo, meio e fim. Em minha defesa, foda-se..
Que homem vê uma mulher chorar no meio da rua, tenha ela culpa ou não, e sequer se aproxima, dá um abraço, ou fala palavras bobas?
É filhão, você não é para amadoras!
Uma vez eu fui; ainda não me considero profissional, mas já sou mais sagaz. Você me tornou dura, quase desértica.
De repente, passou um Deva, bateu a ponta da varinha no meu ombro, dei a ultima soluçada e parei. Foi abrupto, esquisito, e o sertao não virou mar.
Fui invadida pela paz mitológica....
Ninguém mais deu palavra.
No subidão da próxima rua me lembrei duma sexta de sol ameno, meio de tarde:
- Encontrar uma mulher linda dessa, em plena sexta....assim...andando na rua.
Olhei, e vi a moto (com o rapaz - obviamente), subindo ao meu lado.
Foi tão bom.
Olho no espelho....e sinto que meu rosto mudou. É tudo difuso, tão esquisito....não consigo mais enxergar o meu ângulo certo, minha beleza....


"A man can tell a thousand lies, i've learned my lesson well…hope i live to tell the secret i have learned...till then…it will burn inside of me..."

Sacrifício

Está tarde, estou cansada. As frases inteiras que borbulhavam em mim logo cedo, se foram. Meu pensamento esta parado. Cabeça, pescoço, coraç...