quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Espera

O medo nunca me deixa, mas o amor também não.

É que quando o fim rugir - e ele vem vindo - vou finalmente conhecer meu amor guardião.
O ultimo segundo é dele, e é meu. O ultimo segundo antes da morte é nosso. E eu viveria este calvario mil vezes só pra terminar nos seus braços ali.
Pra redescobrir aqueles lábios, e saber que nunca os esqueci em primeiro lugar.

Deixa o fogo estalar os beiços com nossa carne unida; vir subindo pelas panturilhas. O que a vida não juntou, a morte une pra sempre.

- Casa comigo, meu amor?

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Há 5 anos

Ali em cima a visão não deixara de ser deslumbrante, ainda que o mundo houvesse acabado, e tudo estivesse rodeado pela escuridão e pelo fim.
Sentia medo quando segurei na sua mão e subi as escadarias grudada em você, que instintivamente adiantava um passo a minha frente, numa espécie de precaução conosco.
Sabíamos que éramos preciosos um para o outro, como se nossa soma fosse sempre maior do que dois. Sentíamos isso no coração e no espírito, e ter nos fazia querer proteger de maneira primitiva, a qualquer custo.
Foi quando abandonamos as escadarias de repetitivos caracóis que notei o verdadeiro abandono daquela construçao. Era um esqueleto sem paredes, composto apenas por pisos brutos e poeirentos, escadarias sem fim e baixos guarda-corpos que avarandavam o nada.
Noite e trevas ao nosso redor quando você encontrou e me sentou numa cadeira jogada naquele andar e sua boca mordeu meus lábios causando um arrepio elétrico. Era como se não estivesse mais viva.
Teu primeiro beijo em anos. Nossas línguas vorazes abdicam do dizer para sentir e as mãos contornando desesperados limites de matéria que não pode ocupar o mesmo lugar que a outra no espaço.
A cadeira fica vazia e ao lado dela você me toma no chão áspero de cimento. Como pode haver paixão no fim dos tempos, com a vida arrasada pela miséria e mesquinhez?
Ser sua não tem descrição. Extrapola de mim o tudo; e sentir você transbordar meus limites me dá vertigem.
Olho nos teus olhos quase que me despedindo. Aquele amor tem que durar mas escapa pelas mãos....não entendo.
De repente estou só e nua no esqueleto úmido de cimento e vigas de metal. Grito seu nome uma, dezenas de vezes enquanto visto minha roupa e tateio por você ao redor.
Desço as escadarias até o térreo sem jamais respirar, e constatando sua ausência, abandono o edifício adentrando o vazio do mundo. Meu coraçao soca o peito desesperado.
Sou um incêndio para iluminar sua busca.

sábado, 25 de outubro de 2025

Lockness

Tem fulano que jamais vai entender a poesia do negocio.
Aquela simetria escondida no jogo; o tomaladacá pondo a  cabeça pra fora da agua quando menos se espera..
É; tem dias que quero rir porque fui a ultima, mas a culpa me impede - tambem estaria rindo de mim mesma.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

domingo, 19 de outubro de 2025

Isnt it ironic? Dont you think

A vida é mesmo engraçada. Ainda que eu tenha perdido tudo no quesito amor, às vezes o vento duma noite sopra tão gostoso no rosto.
Ou entao, o brilho dum sonho remanesce comigo depois de acordada. Seca devagar, igual orvalho em teia, balançando ao longo da manhã.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

carne mole em pedra costeira

Ah, o destino....tá certo que ele vai fazer o que quer, o que precisar...mas PUTA MERDA!
É a deploravel certeza de um controle que não existe que arruína com o barraco.
No meu caso, o problema é aceitar o que sou, como sou. Abraçar os defeitos, as imperfeiçoes, os medos, as formas, os breus, os brejos, aquilo que não tem nome, e aquilo que está escondido além duma névoa perene - Avalon ficaria com inveja -.
Como o homem europeu da idade média, suspeito que há, mas não sei o que há.
E hoje tudo é: faça, seja, mude, melhore....controle seu destino.
Um sábio conhecido há bons anos me disse "ovelha não é pra mato".
Oras, por quê teimar contra sua natureza? Arrebentar o couro numas pedras de mar? Indo e vindo, esperando superá-las, e o fim....já sabem.

É triste, ou não, mas pouquíssimas pessoas me lêem. Queria muito ser muito lida....mas no momento, este é meu espaço, e meu único espaço de compartilhamento de ideias mais....sei lá, pessoais? Estranhas, esquisitas?
Eu e meus fragmentos de cenas, personagens, pensamentos. 





quinta-feira, 2 de outubro de 2025

193

EXTERNA - SACOMÃ - TARDE.

tardes são poéticas, o momento mais propício à magia. Caso um dia a humanidade decida atirar-se a indolência para sempre, estarão aí as horas de ouro.
Retrovisor: um carro de bombeiros cruza de faixas logo atrás de mim. A frente imponente do caminhão, suas luzes piscando em azul e vermelho preenchem a elipse do meu espelho.
Duran Duran no som. Minha faixa para, a do rádio e a do caminhão fluem.
Ele passa ao meu lado. "Don´t say a prayer for me now".
Olho para cima atraída pela altura. Instinto. Uma mulher sentada à boleia, perdida em seus próprios pensamentos desvia os olhos do celular enquanto o afasta para o colo. Instintivamente olha para baixo, para fora. Eu vi! Decepção.
Lábios vermelho fogo como os que ela apaga. Ironia - ela arde - Olhos castanhos, cabelos presos num rabo de cavalo impecável. Lábios carnudos. Que boca de uniforme cinza!
Nossos olhares se cruzam. Micro-longos instantes.
Nós duas somos e sabemos.
Seta, entro à direita.
A boca deliciosa comigo; dentes cravados, batom no pescoço.

SLOW MOTION ENDS


Love decay

I feel the blow to turn around Make love revive just one more time Can we be creatures of the night? I’m cursed to love in darkness..