EXTERNA - SACOMÃ - TARDE.
tardes são poéticas, o momento mais propício à magia. Caso um dia a humanidade decida atirar-se a indolência para sempre, estarão aí as horas de ouro.
Retrovisor: um carro de bombeiros cruza de faixas logo atrás de mim. A frente imponente do caminhão, suas luzes piscando em azul e vermelho preenchem a elipse do meu espelho.
Duran Duran no som. Minha faixa para, a do rádio e a do caminhão fluem.
Ele passa ao meu lado. "Don´t say a prayer for me now".
Olho para cima atraída pela altura. Instinto. Uma mulher sentada à boleia, perdida em seus próprios pensamentos desvia os olhos do celular enquanto o afasta para o colo. Instintivamente olha para baixo, para fora. Eu vi! Decepção.
Lábios vermelho fogo como os que ela apaga. Ironia - ela arde - Olhos castanhos, cabelos presos num rabo de cavalo impecável. Lábios carnudos. Que boca de uniforme cinza!
Nossos olhares se cruzam. Micro-longos instantes.
Nós duas somos e sabemos.
Seta, entro à direita.
A boca deliciosa comigo; dentes cravados, batom no pescoço.
SLOW MOTION ENDS
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