sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Nas margens do Styx

Olhei para trás, uma fila de pessoas subia a ladeira como formiguinhas. Aos pares, trios, ou sozinhas, vinham caminhando com a testa franzida e olhos de esquimó. Sol de quase meio dia.
Enquanto observava, notei uma agitação. Os grupos se espalhavam pela rua, abrindo caminho para uma mulher vestida de moletom rosa empunhando uma arma. O brilho do cano sob o sol me fez terminar a subida correndo.

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A taberna escura parecia uma pequena floresta, cheia de vasos de plantas de folhagens miudinhas e volumosas. Olhei para o pé de uma mesa coberta por uma toalha branca imaculada. Ali embaixo havia um gato cinzento preso numa corda, pelo pescoço:
- Aí está ela!
- Como assim? Vocês transformaram ela em gato?
Encarei as pessoas sentadas ao redor da mesa do felino - fizeram que sim com a cabeça.
Não me ocorreu em nenhum momento perguntar como transformaram a mulher de moletom rosa em uma gata cinza de orelhas de tufos brancos peludos.
Me encarava de baixo, com seu olhar mel e pupilas dilatadas. Dei risada - então tá! Melhor assim. E a arma?
- A arma está segura - a voz do homem me fez tirar os olhos da gata.
- Não! M.?

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Havia esquecido como era descansar a cabeça num peito de homem, ainda mais daquele, que fora tão importante para mim. Fiquei sentindo o calor do pescoço, e a barba pinicando minha testa. 
"Caralho, que delícia.” 
A paz da proteção de um homem daqueles. 
Ouvi meu sistema nervoso dizendo num radinho "O tempo lá fora é de 23 graus, obrigado passageiros, boa viagem" - o avião tinha pousado. Era eu levantando do cockpit e falando "missão cumprida, foda-se, adeus" - a cabine de comando apagada ficando pra trás.
Ah, a paz que só o homem mais forte do que eu tem o poder de me dar.

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As areias dum deserto selvagem engoliam a excêntrica construção quadrada. Por trás de um vidro, de quatro, curtia um sexo maluco. Um loirão de máscara rolava comigo entre toneladas de areia macia.
Do outro lado da vidraça via o vento empilhar e derrubar dunas, que pra lá e para cá vinham avançando sobre o pórtico imenso e escancarado....era tudo dum bege intenso, de texturas ondulantes e limites derretidos envoltos em calor.
Meus joelhos sumiam dentro da areia, o loirão de máscara não dava sinais de cansaço. Pulei no pescoço dele como uma fêmea faminta.
O cenário estava surrealmente vivo. O deserto, o calor, a areia eram todos entidades. 
No subterrâneo de uma grande pirâmide, deitamos lado a lado. Estava escuro e fresco. Cogitei erguer a máscara, mas depois desisti.
Fiquei sentindo seus cabelos com os dedos, a boca e o perfil emoldurados pelo fogo aéreo das luminárias. 


Sacrifício

Está tarde, estou cansada. As frases inteiras que borbulhavam em mim logo cedo, se foram. Meu pensamento esta parado. Cabeça, pescoço, coraç...